terça-feira, 20 de setembro de 2016

Jantar Convívio dos pioneiros do Folclore na Conceição de Faro



Recordar o passado com olhos no presente e um olhar de esperança para um futuro que se espera e deseja risonho, foi o mote para o jantar de confraternização que a cidadã Estoiense Manuela Alves, uma das componentes desses tempos, promoveu no passado Sábado, dia 17 de Setembro, no Restaurante “Convívio dos Cavaleiros”, no Besouro, que tão bem sabe acolher quem o visita.

Cerca de 80 convivas, a maioria, desses anos trepidantes, finais de cinquenta, anos sessenta e setenta, já com visíveis adiposidades e falhas capilares irrecuperáveis, sorrindo de olhos brilhantes, abraçando um amigo que já não viam há tempo, ou aquela amiga de “totós” e “mini saia”, que riam deliciosamente nos gracejos e piropos que os rapazes lhes atiravam no baile… “A menina dança”!?.. Tampas e mais tampas eram coleccionadas amiúde.

Porém o folclore, a necessidade de os pares se formarem, sob a batuta do Mário Encarnação, felizmente ainda vivo, mas ausente nesta noite, primeiro ensaiador do Grupo Folclórico da Casa do Povo da Conceição de Faro, nascido a 8 de Dezembro de 1958, dia da Padroeira da Conceição, como no final do repasto, o nosso amigo José Joaquim Rodrigues, ilustre e conceituado ex-Presidente da Direcção da Casa do Povo local, com provas dadas ao longo de muitos anos, relembrou a todos os presentes.

Relembrando companheiros recentemente falecidos e afinal todos aqueles que ao longo dos anos foram desaparecendo do seio dos vivos, a Manuela Alves pediu um minuto de silêncio, por todos respeitado, com um aplauso final, antecedendo o jantar. Gesto oportuno e sentido.

A música e a farta gastronomia fizeram uma simbiose perfeita. A música tocada pelo acordeão do grande Fernando Inês, um Salirense universal, homem bom, grande acordeonista algarvio e nacional, autor e compositor de músicas e letras que encantam e encantarão quem o puder escutar. Um encantamento, um sorriso agaitado, o prodígioso bater dos ágeis dedos no instrumento que chora e ri sempre que o compositor instrumentista o põe à prova
Um encanto de músico e de pessoa, que serve a nossa cultura como poucos. A graciosa presença de sua mulher é o elixir que tanta falta lhe faz, o seu oxigénio constante. 

A ementa sortida e bem servida, com as entradas variadas, o tinto e o branco ou a geladinha sangria, deram o mote para uma canjinha deliciosa, com ovinhos e tudo. Depois as travessas de grelhados sortidos, as saladas e demais consumíveis, terminando com a imperdível picanha, que o Patrício, sempre atento e solícito a todos presenteia, não vá algum conviva ficar em défice momentâneo. 

Ali nunca se passa fome! Os doces bem disputados a meio da sala, chás e cafés e alguns mais afoitos o digestivo tomaram, com a anfitriã, Manuela Alves dando às senhoras os poemas e as gerbérias ornamentais que testemunharam o acolhimento.

Utilizando a generosidade e disponibilidade do nosso Presidente da União de Freguesias da Conceição e Estoi, que lamentou não poder estar presente, a cedência da aparelhagem sonora, permitiu as palavras de agradecimento e a declamação dos poemas da Manuela Alves, feitos para esta noite, com a sempre pronta ajuda nas ligações dos cabos e micros do José Joaquim Rodrigues, que no final deu um pouco do seu conhecimento privilegiado, sobre o início do Folclore na Conceição de Faro.

Uma amiga do Teatro, que sob a sábia batuta da poetisa Fusetense Prof.ª Maria José Fraqueza, ali esteve presente, cantou dois, três fados castiços, acompanhada ao acordeão pelo Fernando Inês e uma ou outra canção com um outro companheiro dessas lides teatrais, arrancando aplausos dos convivas, que, a convite dos corridinhos que o Fernando foi tocando, lá saltaram para o meio da sala, rodopiando a alta velocidade, sem qualquer percalço ou inoportuna queda. 

Antes cantaram-se os parabéns a três companheiros ali presentes, que haviam feito os seus aniversários nos dias antecedentes. O bolo, os bolos, foram sempre uma constante, não obstante os conselhos indispensáveis das nossas Nutricionistas, para seguir com algum rigor, alguma dieta menos adocicada e de menor índice calórico… Um dia não são dias! Compensar as calorias consumidas em excesso, com exercício físico é essencial e aconselhável nos dias subsequentes. O coração agradece!

Já passava da meia noite e a animação continuava! Despedi-me dos meus fiéis e bons amigos “Dorinhas” , Valério Pires, Zé e Julieta, Manuela e Osvaldo, Fernando Inês e esposa, entre tantos outros, dando as despedidas ao lado de minha esposa Helena, sempre com a presença fotográfica do Zé Joaquim por perto, que disparava a tudo aquilo que julgava adequado e oportuno gravar e colocar nos seus muito visitados “Blog´s”, que nos deixará eternos para a posteridade…

Obrigado Manuela pela dedicação a esta causa. Força e coragem não lhe falte nunca. “Os dias mais felizes da vida, são aqueles que ainda não vivemos”… Agarrados a esta máxima continuemos…

(J. Aleixo)

domingo, 18 de setembro de 2016

JANTAR DAS VELHAS GLÓRIAS DO RANCHO FOLCLORICO




Em ambiente de muita alegria decorreu ontem à noite no Restaurante Retiro dos Cavaleiros, o Jantar Anual das Velhas Glórias do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Conceição.

Como sempre a organização esteve a cargo da Manuela Alves, que mais uma vez foi inexcedível conseguindo juntar um grande número de antigos elementos, bem como os seus familiares e amigos.

Enquanto se esperava por alguns mais retardatários foi-se degustando as "entradas".

Com a sala já repleta fez-se uma homenagem a todos os ex- elementos que já partiram e aqueles que por motivo de doença não puderam estar presentes, guardando-se um minuto de silêncio, sublinhado no final com um forte aplauso.

Seguiu-se o jantar propriamente dito, servido pelo Patricio e sua diligente equipa que mais uma vez superaram as expectativas quer na ementa quer na atenção e simpatia.

Após o Jantar a Manuela saudou-nos com duas das suas poesias dedicadas ao evento, seguindo-se um momento de fados e o baile onde o acordeonista Fernando Inês, não deixou os créditos por mãos alheias e pôs toda a gente a dançar.

Houve ainda um momento para cantar os parabéns a três ou quatro aniversariantes presentes, soprando-se velas e votos de longa vida para todos.

Já passava da meia-noite quando alguns dos antigos elementos do Rancho ensaiaram uns passos do corridinho revelando que ainda não esqueceram o que há muito aprenderam.

No final a famosa marcha da Conceição, com toda a gente a dançar e um adeus até para o ano.

Da nossa parte um grande aplauso para a Manuela Alves que apesar de tudo conseguiu mais um ano juntar toda esta gente unido-os numa bonita festa..

Obrigado Manuela!


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

MERREIRA DO CALOR


O termo que relembro é mais um dos que foram caindo no esquecimento e hoje praticamente em desuso.

"À merreira do calor" para nós quer dizer debaixo de um sol muito forte e abrasador que até pode causar uma doença fatal (ou murrinha).

Para evitar a "merreira do calor",  era costume o patrão conceder a folga aos seus trabalhadores agrícolas, nos dois principais meses de verão.

A Folga que correspondia a duas horas de descanso era concedida com o fim de evitar o período de maior calor em que o sol a pino castigava mais quem o enfrentava a descoberto da sombra (ou seja à "merreira do calor"), arriscando apanhar uma insolação ( "soalheiro").

A folga decorria logo a seguir à hora do almoço. Parava-se ao meio dia para almoçar e recomeçava-se ás três da tarde ou seja, gozava-se mais duas horas de folga para além da hora de almoço.

Naturalmente estando no campo e sem trabalhar, procurava-se a sombra de uma árvore para dormir e descansar.

Este costume tornou-se de tal forma hábito nas nossas vidas que mesmo em casa, sem trabalho se dormia a folga.

Por isso amigos, não se descuidem, fujam da merreira do calor e durmam uma boa folga que eu faço o mesmo.

Então até à próxima!