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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

PEQUENO LIVRO



Escondido de indiscretos olhares,
encontrei uma jóia pequenina,
entre cadernos e outros livros escolares,
bonecas e brinquedos de menina.


Muito pequeno, mas tão cheio de amor.
Quando o abro e leio... que emoção!
Pois na vida nunca li livro maior;
que me tocasse tão fundo o coração.

Duas rosas na capa branca, e sem título.
Letra redondinha,e aspecto delicado.
Sem prefácio.Todo ele um só capitulo.

Fez meu coração bater mais apressado,
quando nele simplesmente li:
Querido pai...gostamos muito de ti.

J.Elias Moreno
Almada, 2.Nov.2015

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

NATAL 2014

Prece de Natal


Vem de novo meu Menino Jesus
do ventre Sagrado de Maria,
e derrama sobre o Mundo a Tua luz,
da Paz, da Esperança e da Alegria.

Vem de novo ensinar aos doutores,
o caminho da Justiça e da Verdade,
do Amor, da Partilha... e os Valores
que conduzem à Verdadeira Felicidade.

Vem nascer no Presépio solitário
de cada sem abrigo e espoliado;
porque só desânimo e tristeza acharás,

e o Teu Povo cruxificado num Calvário,
sem futuro, escarnecido e humilhado
entre os malvados filhos de Barrabás!

J.E.M.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

NATAL

Prece


Vem de novo, meu Menino Jesus,
do ventre sagrado de Maria,
e derrama sobre o mundo a tua luz;
da paz, da esperança e da alegria.

Vem de novo ensinar aos doutores,
o caminho da justiça e da verdade,
do amor, da partilha, e os valores
que conduzem à verdadeira felicidade.

Vem nascer no novo presépio solidário
de cada sem abrigo e espoliado,
porque só a alegria das crianças acharás,

e o teu povo crucificado num calvário;
sem futuro, escarnecido e humilhado,
entre os malvados filhos de Barrabás.

José Elias Moreno
Natal de 2013

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

ODE AO BATE CU

"Bate Cu ... aldeia Morena"

No coração das Campinas
há uma aldeia pequena;
quinze casas pequeninas,
Bate Cu...aldeia Morena.

Morena, porque Morenos
eram os seus proprietários;
senhorios de pequenos,
grandes artistas e operários.

Sem água, esgotos ou luz,
mas lixeira aberta ao céu;
o que por vezes conduz
a cagar de cu ao léu!

E por isso lhe chamaram
este nome feio e raro;
e nem se quer se lembraram
que estavam às portas de Faro.

No Ti Joaquim Farrajal,
venda pacata e decente;
havia sempre jornal,
e “quartinhos” de aguardente.

O velho José Farelo,
GNR reformado;
compunha sapatos de ourelo
e todo o tipo de calçado.

O senhor João Sapateiro,
em obra fina um artista;
ganhava muito dinheiro
nos sapatos de corista!

Ali moravam cantoneiros,
que cuidavam da estrada,
pedreiros , relojoeiros,
e trabalhadores de enxada.

Mas a glória suprema
e que os levou ao delírio;
foi figurar no cinema,
no filme de Carlos Porfírio.*

* (Um Grito na Noite)
(1948)

José Elias Moreno
Almada
5.11.2013

sábado, 20 de julho de 2013

PORTUGAL ESTÁ LIXADO


(Foto de José Carlos)

Portugal está lixado
Com estes maus governantes
Pois tudo está mudado
Nada é como era antes!

O povo não tem emprego
Dinheiro também não tem
O primeiro ministro é cego
Só vê o que lhe convém!

Tira a reforma aos velhinhos
Que já vivem na agrúria
Se vai por este caminho
Leva o país á penúria!

As contas estão sempre tortas
Cada dia há uma falha
Seja o Coelho ou Portas
É tudo a mesma canalha!

Fizeram muitas promessas
Quando houveram eleições
Hoje fazem tudo ás avessas
Mas que grandes aldrabões!

O PS quer mandar
Quer que este governo saia
Eu não vou acreditar
Eles são todos da mesma laia!

O ministro das finanças
Rouba-nos todos os dias
Fala muito em poupanças
Mas isso são tudo fantasias!

O Cavaco fala, fala
Para não dar parte fraca
Outras vezes até se cala
Vai sacudindo a casaca!

(Manuel do Rosário António)

MANUEL DO ROSÁRIO


(Foto de José Carlos)

Manuel do Rosário foi o amigo que hoje de manhã encontrei á porta do José Carlos, tal como habitualmente acontece aos sábados de manhã quando por lá paramos, para fazer as compras.

Como havíamos combinado no ultimo sábado o Manuel entregou-me dois dos seus trabalhos em verso para publicar aqui.

Ficámos um pouco na conversa á qual se juntou o José Carlos que aproveitou para fazer uma foto actualizada do Manuel.

Na breve conversa, recordou-me que nasceu no interior da serra algarvia, nos Montes Novos, Salir, Loulé e que aos vinte anos de idade, veio trabalhar para Faro, como jardineiro.
Ao cabo de alguns anos emigrou para França onde se manteve cerca de ano e meio, regressando novamente a Faro, para trabalhar na construção civil.
Alguns anos depois voltou á sua profissão de jardineiro indo trabalhar para o Jardim da Alameda e mais tarde para o hospital de Faro, onde se manteve por 25 anos, até á sua aposentadoria.

Prestes a completar os 80 anos, continua a residir na Chaveca, Conceição de Faro, onde sempre residiu excepto no tempo em que esteve em França, motivo até porque ganhou a alcunha de "Manel da Chaveca", também conhecido pelo "Manel da Filipa".

Poeta popular, repentista e improvisador, é também um exímio tocador de ferrinhos que acompanhou o Rancho Folclórico da Casa do Povo, durante alguns anos, assim como a Charola, onde encantava com as suas "vivas de improviso".

É imbatível no canto ao desafio ou desgarradas, tendo sempre resposta pronta e acertada para o que quer que seja, terminando todas as suas quadras com uma breve e característica gargalhada.

É este o Manuel do Rosário que conheço praticamente desde a minha infância, quase sempre bem disposto, que se juntava ao grupo das "futeboladas" de todas as tardes, no largo onde é hoje a Casa do Povo e que gostava de jogar a guarda-redes.

Agora o Manel desce quase todas as tardes até á aldeia para se juntar ao grupo de amigos que no "café FF", disputam renhidos e animados jogos de dominó e aos quais dedicou os versos seguintes:

Ao dominó vou jogar
Um pouco para entreter
Vou ver se posso ganhar
Que não gosto de perder!

O Zé Maria Baltazar
Quando joga a meu lado
Se não o deixo ganhar
Fica todo chateado!

Lá tá o Manuel João
Que não sabe o que fazer
Fica com o jogo na mão
Depois diz que foi sem querer!

Também não é todo tonto
O amigo Adelino
Fica sempre com pouco ponto
E pede outro cappuccino!

O António carpinteiro
Não vai muito ao desleixo
Como é muito matreiro
Joga sempre para o fecho!

E há o Manuel Mestre
Que também gosta de jogar
Mas é uma grande peste
Leva uma hora a pensar!

(Manuel do Rosário António)

terça-feira, 25 de junho de 2013

VIVAM OS SANTOS POPULARES


Eu tenho lá tempo para pensar!
com tanta animação;
foguetes a estralejar
sardinha a pingar no pão,
salada de tomates e pimentos,
cerveja e vinho à toa,
até esquecer os lamentos!
À toa, é como quem diz,
No Porto, em Braga ,em Lisboa
e no resto do País,
que mais parecia um velório.

Quanto mais não vale a festa,
as marchas e o foguetório,
fazendo esquecer do que resta,
dos coelhos, dos gaspares
e da crise...se é que a há?

Mas, só três Santos Populares
é pouco...assim não dá;
pois a festa assim só dura
oito ou nove dias no ano!
E se pedíssemos ao Vaticano
mais quatro Santos por mês,
Populares e bem dispostos?
Assim esquecíamos de vez
a crise, as taxas e os impostos!

(José Elias Moreno)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

ALDEIA DA CONCEIÇÃO

"eu no meu coração guardo..."

Se aquela pedra contasse
os segredos que a rodeia,
talvez muita gente chorasse
de saudade da sua Aldeia

Por muito humilde que seja;
da aldeia onde nascemos,
lembramos sempre a Igreja
e o tempo que lá vivemos.

Da aldeia da Conceição,
eu no meu coração guardo,
e recordo com emoção
o Honorato Pisco Ricardo.

Amigo sempre dedicado,
franco e leal...um senhor.
Por todos é recordado,
como o senhor professor!

Jose Elias Moreno

sexta-feira, 20 de julho de 2012

SERRA SACRIFICADA


"Ouço o crepitar das chamas que a consomem ..."


Já não escuto o murmúrio das nascentes,
nem os acordes das flautas dos pastores.
Ouço os gritos de aflição e dor plangentes,
dos seus velhos e resistentes moradores.


Ouço o crepitar das chamas que a consomem,
e espalham o horror, a revolta e a tristeza.
Vejo o negro de fumo no céu e vejo o homem,
impotente e rendido à natureza.


Fogem os animais da serra horrorizados,
acossados pelo fogo destruidor.
Cala-se a cigarra ... pia o mocho na fugida.

Olho teus sobreiros e medronheiros carbonizados,
e penso no velho e desalentado agricultor;
que amaldiçoa ... o seu triste fim de vida.

José Elias Moreno

sábado, 5 de maio de 2012

NOVA CANTATA DA PAZ

"vemos ouvimos e lemos, não podemos ignorar."
(Sophia de Mello Brynner Andresen
in Cantata de paz)

"O Sopro do mundo global ..."


Vivemos sentimos e sofremos
Não podemos suportar.
Vivemos sentimos e sofremos
Não podemos suportar.

Vemos ouvimos e lemos,
não queremos acreditar.
No triste futuro que temos
de incertezas a enfrentar.

Pior que a bomba de Hiroshima
Foi o hipotecar de esperanças,
a entrega aos povos da China
do futuro de nossas crianças.

Hoje nos povos destroçados
da Europa de braços caídos,
escondem-se ódios recalcados
nos seus gritos reprimidos.

Nada pode apagar
tanta injustiça...tanto mal.
Não podemos suportar
O sopro do mundo global.

José Elias Moreno
4.Maio.2012

sábado, 7 de abril de 2012

SEXTA-FEIRA DE PAIXÃO


Como Judas ...


Cuidado com as falsas amizades!
certifica-te da sua boa proveniência,
pois nunca as promessas são verdades
se quem promete o faz sem coerência.

Desconfia de quem por tudo e por nada,
se toma por amigo de todo o mundo,
desconhece a amizade desinteressada
...e esconde a traição lá no fundo.

Cuidado com o "amigo" bajulador,
pois é inconstante, e o seu humor flutua;
vive cantando solidariedade e amor.

Finge partilhar daquilo de que gostas,
hoje passa a vida a por-te nos cornos da Lua,
...amanhã mete-te a faca nas costas.

José Elias Moreno
Sexta feira de Paixão
Ano MMXII da Era de Cristo

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

IPv6

"... sinto que há na sociedade um vazio"



Assisti pela Internet em três dimensões,
a uma importante vídeo conferência;
com pormenores detalhes e descrições,
deste moderno milagre da ciência.

Dou graças à Vida, que me permitiu
desfrutar de tão fascinante sucesso.
Mas sinto que há na sociedade um vazio,
e um perigoso e tremendo retrocesso.

O Homem vive dividido, e deslumbrado,
num mundo de desmedida ambição;
escravo do bem estar que tem criado.

Não faz bom uso do saber e cultura:
pois vive afogado em informação...
...e as finanças, p'la rua da amargura.

José Elias Moreno
15.Janº.2012

sábado, 14 de janeiro de 2012

VIDA


"... por muito amarga que seja!"

Cada um tem a que tem,
mais curta, ou mais comprida,
no fundo o que convém;
é que seja uma rica vida.

Por isso; a mesa está posta,
aproveitemos o banquete;
se não chegar-mos à lagosta
degustemos o croquete.

E da Vida... que é só uma,
por muito amarga que seja;
contemplemos a espuma,
e saboreemos a cerveja.

José Elias Moreno
Sexta Feira ,13.
Janeiro de 2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

PALAVRAS REPETIDAS


"...valor que tem, a palavra amigo!"


De tantas e tantas vezes ter repetido,
que era meu amigo de verdade;
eu vivia absolutamente convencido,
que era pura e sincera nossa amizade.

Reciproca, não era.Embora lhe custe.
Um amigo não se despreza cobardemente.
Por maior que seja a ofensa ou o embuste,
deve em amizade mostrar o que sente.

Cada palavra tem o valor que tem,
e que é relativo, como tudo na vida.
Tudo depende do sentir, de quem vem.

Mas há uma palavra que mexe comigo,
que aceito sincera e não corrompida,
no valor que tem; a palavra Amigo.

José Elias Moreno
11.Janº.2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

POEMA DO PASSARINHO

"tenho uma coisa p'ra te mostrar..."

Andávamos como Adão e Eva no paraíso,
colhendo os dourados frutos do nosso pomar;
chamaste-me a atenção com o teu sorriso,
e disseste: tenho uma coisa p'ra te mostrar.

Era uma canária, que de tão assustada,
seu coração batia muito apressado.
E entre tuas duas mãos aprisionada,
pensava: meu triste fim é chegado.

Fugira da gaiola, para uma liberdade,
que nunca tivera e de todo desconhecia;
de água e de alpista, já tinha saudade.

Com o papo vazio e a sede a apertar,
voou para a gaiola, e ao fim de um dia,
era vê-la de novo, aos pulos e a cantar.

José Elias Moreno
2/Janº/2012

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

POEMA DO BOM RAPAZ

"... modesto mas de bem com a vida."


Ditoso é aquele que se contenta,
com a vida que tem, e o que é seu;
o fruto do seu trabalho que o sustenta,
e com o modo de vida que escolheu.


Feliz é o que despreza a inveja,
a gula, e a ambição desmedida;
acaba por ter sempre o que deseja,
modesto, mas de bem com a Vida.


Eu sei de um assim; um bom rapaz,
por todos que o conhecem é respeitado;
amigo do seu amigo, até mais não.

Tem um humor delicado, mas não mordaz,
bom filho, carinhoso e dedicado:
chama-se Heliodoro...e é meu irmão!

José Elias Moreno
Dk:8.Dez.2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ - II


  • Gotad'Agua disse...  


Há porém um pequeno senão
Que já cá não podia faltar
Podem matar esta Conceição
Se a freguesia agregar

Temo qu'isso aconteça
Com esta lei feita á toa
Por estranho que pareça
Com gente lá de Lisboa

Se a agregação acontecer
Por esta forma declaro
Que nasci, sou e sempre hei-de ser
Desta Conceição de Faro!

JJ Rodrigues


  • José Elias Moreno disse ...
"Um bom Dia Festa da Nossa Padroeira, para Todos."


Se é como diz Gotad'Agua,
eu dou-lhe toda a razão;
também me dá muita mágoa,
que agreguem a Conceição.

Lembro a alegria que foi,
quando da desagregação;
da Casa do Povo de Estoi,
da nossa da Conceição.

De tanto querer poupar,
Quem manda trava o progresso;
e em vez de avançar...
caímos no retrocesso.

JEMoreno

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ


"Gente boa e generosa ..."

Oh Freguesia da Conceição,
quem te viu...e quem te vê;
antes eras só tradição,
agora andas de BTT.

Tradição eram as Casal,
Sach's, Cucciolos e Alpinos,
agora vais a pedal,
levar o Natal aos meninos.

Antes; caminhos e estradas,
cheios de buracos e covas.
Hoje, vias iluminadas,
alcatroadas e novas.

Quem se queria aliviar,
buscava uma alfarrobeira;
ou se pudesse aguentar,
ia mais abaixo, à ribeira.

Hoje é tudo mais asseado,
e mais moderno, afinal;
já se pode cagar sentado,
sem ter que levar o jornal.

Já tens um Bairro Social,
tens Saúde e Educação.
Tens um líder espiritual:
pouco te falta, Conceição.

Com um povo exemplar,
gente boa e generosa;
o futuro podes encarar,
com esperança e orgulhosa.

José Elias Moreno
4.Dez.2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O PRESÉPIO


"...Duma vida de sacrifícios e canseira."


Nasci num presépio, como Jesus Cristo;
não dentro, mas não longe da manjedoura.
Meu pai José, era S.José, como está visto,
Minha mãe Maria do Carmo,Nossa Senhora.


Meu pai, não era carpinteiro, mas lavrador,
minha mãe, é uma santa e milagreira.
A vaca e a mula,companheiros no labor,
duma vida de sacrifícios e canseira.


No Monte, todos queriam e adoravam,
a este "menino jesus" tão desejado,
que respeitavam como se fosse um Messias.


O carinho e o amor que me dedicavam,
e com o qual por todos fui criado;
não pago eu, até ao fim dos meus dias.

José Elias Moreno
Dk:16/Nov/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

TIO FARTURA


"Vinha da serra e ás hortas descia ..."

Era eu ainda um menino inocente,
quando conheci uma simpática criatura;
um mendigo estimado por toda a gente,
a quem todos chamavam Tio Fartura.


Vinha da serra, e às hortas descia,
transportando às costas dois bornais.
E em troca das esmolas oferecia ,
sorrisos ...e plantas medicinais:


salva, poejo, marcela e rosmaninho,
chás para a dor de barriga e soltura,
a todos oferecia com carinho.


Era troca por troca, gesto puro e nobre:
do pobre o rico recebia a cura,
o rico oferecia o sustento ao pobre.

José Elias Moreno
Dk,14.Nov.2011