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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

FIGO TOQUE OU "TOKA"

Foto de Francisco Martins

"Toka" variedade de figo bravo na altura da saída do insecto quando à medida que vão abandonando o sincónio param uns instantes para descarregar o excesso de pollen que trazem agarrado ao corpo e assim aligeirar o voo até aos frutos que já se encontram receptivos.

A figueira brava 'macho' a tal de toque, 'cabrafiga', caprifig, trata-se duma figueira que nasce da semente do figo que foi polinizado pelo insecto 'blastophaga psenes'.

Pássaros, roedores, o homem, etc.. serão os responsáveis pela disseminação dessas sementes na Natureza.. e uma vez encontradas condições propicias germinam, crescem e tornam-se figueiras bravas de grande porte, que podem ser:
  • De fraca qualidade para a produção de bons figos de toque
  • Somente crescer sem produzir qualquer figo
  • Boas produtoras de figos de toque 
  • Eventualmente (muito raramente) produzir figos comestíveis de boa qualidade...
Alguns agricultores já terão encontrado nos seus terrenos figueiras que não plantaram e que dizem .... 'nasceu prá li' e que produzem óptimos figos, geralmente do tipo 'Smyrna' e que carecem sempre de polinização.
Também muitas figueiras bravas têm sido utilizadas como bons 'porta enxertos'

Já que estamos a falar de figos de toque devo dizer que a figueira 'toka' como chamamos no Barlavento, produz no ciclo anual, pelo menos 3 tipos de figos bravos.. e para simplificar vamos chamar-lhes:
  1.  O primeiro "de Primavera" que vem logo em Junho coincidindo mais ou menos com o tempo dos Lampos comestíveis,..os de São João.
  2. O segundo "de Verão" e que nas boas figueiras tokas devem estar precisamente agora bem à vista, preso na axila das folhas, tal e qual os vindimos saborosos mas cuidado pois podem parecer comestíveis..?!
  3. O terceiro "de Inverno" que à medida que a figueira perde a folha estes figos escuros de aspecto sujo e muito duros ao tacto crescem ao longo das pernadas que vão ficando lenhosas... pelo Inverno fora em maior ou menor numero..
As boas figueiras tokas mostram figos bravos ao longo de todo o ano e isto porque a Mãe Natureza se comprometeu a dotar a figueira brava dum fruto capaz de alojar e alimentar o insecto polinizador durante todo o ciclo anual, dotando-o com pollen na altura mais propicia

Fico por aqui e sugiro que se puderem dêem uma espreitadela a alguma figueira ou figueiras bravas para ver se tenho razão.. e depois continuamos..

F Martins

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

ESCALHAMBRADO



Ontem, em conversa com um velho amigo, surgiu na conversa a palavra "escalhambrado", a propósito de determinada família que ele afirmou serem todos meio escalhambrados!

A palavra não me era totalmente estranha mas não sabia ao certo o que queria dizer e inquiri: - São o quê?

Ao que o meu amigo repetiu: - São meio escalhambrados, não achas?

Voltei a indagar: -Escalhambrados?

Sim pá, são meio abrutalhados,  não têm maneiras! - completou ele.

Ah é isso, de facto, tens alguma razão, às vezes não têm um comportamento decente, mas no fundo são boas pessoas - amenizei.

A conversa terminou pouco tempo depois e fomos cada um à nossa vida. No entanto, a palavra "escalhambrado" não me saiu do pensamento e aqui estou a partilhá-la com vocês para que se quiserem acrescentarem mais alguma coisa à sua definição.

Por mim, fico à espera das vossas opiniões.

Bom dia para todos!

terça-feira, 27 de junho de 2017

CHEGAR TARDE


"Nunca faltou um pau torto para quem chegou tarde"


De vez em quando o meu pensamento resvala para o seu arquivo mais remoto e lá estou eu a trazer ao presente coisas do passado.

Hoje aconteceu-me isso quando pelo meio de uma história actual saiu-me uma frase antiga que me surpreendeu.

Há muito tempo que não ouvia nem pronunciava tais palavras e nem sequer estava a pensar em algo parecido mas saiu-me quando contava a alguém o facto de na outra noite ter chegado tarde a um espectáculo a que fui assistir e por pouco não arranjava lugar para me sentar.

Tive sorte ao conseguir sentar-me, embora num lugar longe da cena e de má visibilidade mas enfim foi o que pude arranjar devido à hora tardia a que cheguei ao local do espectáculo que era ao ar livre e de entradas gratuitas.

Já que vem a "talhe de foice" a propósito de espectáculos de entrada gratuita, sempre se assiste, a esta enorme falta de respeito para com os outros, para não dizer outras palavras menos elegantes, vendo-se pessoas que com algumas horas de antecedência se apressam a marcar com peças de roupa ou acessórios, mais alguns lugares, para outras que descansadamente chegam muito tempo depois de muitas que já lá estão e têm de ficar em pé!

Nalguns casos, são as mesmas pessoas que quando os espectáculos são pagos, se recusam a pagar uma pequena e insignificante importância para ficar sentados.

Sendo a favor do acesso de todos, aos espectáculos populares e de rua, não sou no entanto a favor da total gratuitidade dos mesmos quando se trata de lugares sentados.

Certamente se evitariam situações injustas se houvesse uma pequena contribuição a favor de uma ou mais instituições locais.

Quanto a mim, um amante incondicional dos espectáculos de rua, sejam ou não de lugares pagos, lá continuarei a ir, mesmo que por vezes, como aconteceu desta vez, chegue um pouco tarde e tenha de me contentar com um "pau torto" ou seja, um mau lugar!

Do mal ao menos, assisti ao espectáculo, diverti-me, encontrei amigos, passei um bom bocado e vou esquecer tudo o resto que embora me desgoste, não passam de uns simples acidentes de percurso!

Boas festas de rua para todos!!!

sábado, 8 de abril de 2017

FIGOS FRITOS


Longe vão os tempos em que na nossa aldeia, o figo era um precioso alimento que se consumia maduro fresco ou depois de seco, mole, torrado ou "cheio" (recheado com açúcar, miolo de amêndoa, canela e erva-doce e depois torrado).

Até ao final do segundo terço do século passado, durante a Quaresma, não eram autorizados os bailes da aldeia e faziam-se as "rifas" que nos entretinham aos sábados à noite ou aos domingos.

rifa era organizada por uma ou duas moças que convidavam para a sua casa, pessoas amigas para jogar ás cartas cujos prémios eram rebuçados naturalmente vendidos pelas organizadoras.

Por todas as redondezas se faziam rifas e algumas ganharam fama quer pela amabilidade dos donos da casa e simpatia das organizadoras quer pelo número de pessoas que sempre participavam.

Aí pelos anos quarenta, uma das mais famosas rifas na Conceição de Faro era organizada numa casa, ali para os lados da Ferradeira.

Nessa casa, era uso haver a festa de encerramento que tinha lugar no sábado de Aleluia e a que quase ninguém faltava porque de entre os acepipes eram abundantemente servidos figos fritos.

O figo seco, guardado "mole"(cru), na altura de consumir era frito em azeite, costume que só se conhecia naquela casa.

Diz quem frequentou vários anos aquela rifa que os figos fritos eram um regalo e que ainda hoje recorda o seu sabor, com prazer.

Tal costume de fritar os figos desapareceu e se havia algum segredo na receita, também.

Resta-nos recordar estes momentos e talvez um dia experimentar fritar uns figos moles para comprovar o seu sabor!

Veja aqui mais informações sobre as "Rifas" na Conceição de Faro »»»

sábado, 4 de fevereiro de 2017

JOGO DA MÃE


Recordo o jogo que em meados do século passado (ao tempo que isto já foi), nos ocupava as noites de domingo, enquanto os nossos pais, se entretinham no baile da aldeia que era no salão do senhor Manuel.

Naquele tempo ainda demasiado novos para nos atrevermos a "ir buscar" uma moça para dançar, saiamos do salão para nos juntarmos no largo da igreja para as brincadeiras e jogos de grupo.

"A mãe", era um jogo de "apanhar" com a particularidade de nos dividirmos em dois grupos, como se fazia para os jogos de bola e ser jogado na escuridão da noite da nossa aldeia que naquela época mal tinha meia dúzia de pequenas lâmpadas incandescentes na rua principal, uma delas iluminando o largo da igreja.

Em cada um dos grupos compostos apenas por rapazes, existiam um chefe que chamávamos de "mãe" que era escolhido pela sua habilidade para se esconder e fugir do grupo que o procurava.

Enquanto um grupo se escondia o outro contava até vinte, antes de iniciar as buscas, para descobrir e agarrar (prender) os elementos do grupo contrário.

À medida que iam sendo agarrados juntavam-se no largo da igreja esperando o desfecho do jogo.

O jogo terminava quando conseguíssemos prender "a mãe" do grupo fugitivo que naturalmente era sempre o mais difícil quer de encontrar quer de agarrar.

Esta história que há alguns dias me andava na cabeça voltou hoje quando por casualidade encontro o Fernando Ramos que naquele tempo era conhecido por Fernando do "Bairro" e que foi também uma das mães que me ficou na memória por alguns episódios agora hilariantes mas que naquele tempo nos deixavam aborrecidos.

Suspeitávamos que naquelas noites em que não o conseguíamos encontrar era porque ele se refugiava na sua casa no bairro que é muito perto do largo da igreja, deitava-se para dormir e deixava que o procurássemos até nos cansarmos e desistirmos.

Naturalmente que nem sempre procedia dessa forma e numa das noites em que resolveu esconder-se atrás da escola primária, deitado em cima de uma pernada de amendoeira que ficava um pouco acima das nossas cabeças, a coisa não lhe correu muito bem.
Escondido entre as folhas, divertia-se vendo-nos procurar atrás dos troncos, mas não olhando para cima da árvore onde ele estava.

Inesperadamente o Américo olha para cima, vê o vulto escuro e ao mesmo tempo que grita: -aqui está um!, salta e puxa a pernada da árvore na tentativa de agarrar quem lá estava.

O resultado foi que a pernada se partiu e o Fernando que não teve tempo de saltar nem de se agarrar a outra parte da árvore, cai desamparado ficando muito queixoso das costas.

O jogo e a brincadeira terminou assim nessa noite, sem graça para o Fernando!

Também eu termino esta evocação do passado mas fico na expectativa de que alguém se lembre de outras histórias sobre este ou outros jogos e as queira recordar aqui.

Um bom fim de semana para todos!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

REMOALHO



Hoje amanheceu com um dos dias a que nos habituámos a chamar de mau tempo!

Muita chuva, relâmpagos,  trovões e nuvens escuras a tapar completamente o sol que por vezes ainda tenta aparecer.

Como diria um a amigo meu, é um daqueles dias de manhã, que nem de tarde, se deve sair à noite!

É verdade, há dias assim!

Não se pode esperar muito de um dia destes, por isso limito-me a ficar recolhido em casa, no meu canto e quase inconscientemente inicio uma espécie de "remoalho" à minha memória.

Isto é, dou-lhe voltas e revoltas até começar a reviver um episódio do meu passado relacionado com um dia como este.

Neste remoer imaginário consigo encher a ribeira que corre rápida a poucos metros da nossa aldeia.

Uma água turva, pejada de laranjas, pastos e troncos de árvores que ajudada pelo vento, foi derrubando e arrastando para o leite da ribeira numa enchente já a transbordar. Alguns dos troncos ficam por momentos presos na ponte, até a força da corrente os libertar, para continuarem o seu percurso.

Eu, estou a poucos metros da ponte, curioso, mas com receio que toda aquela enxurrada se descontrole e venha atingir-me. No entanto, não me afasto e continuo parado na estrada já alagada.

Mais pessoas se vão juntando de um e de outro lado da ponte igualmente curiosas, comentam a situação.
Neste momento é muito arriscado atravessar a ponte já submersa e ninguém se atreve, nem sequer o mais afoito tenta.

O caudal da ribeira continua a engrossar e são cada vez mais os objectos que vêm a boiar arrastados pela corrente. A cada nova aparição, um grito, uma chamada de atenção, um comentário de todos os que assistem ao correr meio descontrolado das águas.

A ribeira que a maior parte do ano está seca, justifica agora plenamente a sua existência, recolhendo as abundantes águas, minimizando os prejuízos que de outra forma iriam correr soltas pelo meio das terras, caminhos e estradas, causando maiores danos.

Embora o tente não consigo recordar com precisão a data deste episódio, até porque o vivi mais do que uma vez. Quantas não sei, mas sei que há mais de duas dezenas de anos que não temos uma "cheia" destas na nossa ribeira.

Adormeci por alguns momentos e o "remoalho" de memórias terminou.

A propósito, alguém sabe dizer o que significa exactamente a palavra remoalho? 

Esta palavra escutei-a de alguém a queixar-se: -Parece que estou a comer o "remoalho!"


Um abraço!


domingo, 20 de novembro de 2016

HÁ RAPOSAS NA CONCEIÇÃO DE FARO


Há dias, vários  amigos queixavam-se das visitas nocturnas de raposas aos seus galinheiros com a consequente perda de ovos e galinhas.

Alguns afirmavam mesmo tê-las visto em pleno dia,  a rondar as suas propriedades, mas ao pressentirem a presença humana, se afastaram rapidamente desaparecendo por entre as árvores.

Os animais que fogem dos caçadores que nos matos circundantes da freguesia, cerros de Guelhim, Malhão e Sâo Miguel, por ali andam aos tiros, vêm até ás hortas onde conseguem alimentar-se, com as galinhas, os ovos e os coelhos bravos que por aqui também andam à procura de alimento.

Longe vão os tempos em que na Conceição de Faro, se costumava recompensar, a pessoa que matava uma raposa.

Nessa época matar uma raposa significava merecer a gratidão das pessoas das redondezas que dessa forma se viam livres de um dizimador natural dos seus galinheiros.

A pessoa pedia a recompensa andando de casa em casa, com a raposa morta às costas, por vezes já em adiantado estado de decomposição, pelo que o cheiro não era nada agradável.

Habitualmente recebia como recompensa, ovos ou outros produtos da terra.

Tal costume foi desde há muito tempo completamente abandonado pelo que  por aqui, as raposas pouco têm a recear e vêem, embora com natural cautela, até muito próximo das nossas habitações, no entanto, desconfiadas correm e escondem-se ao mais pequeno sinal de perigo.

Infelizmente as raposas ainda são abatidas no nosso país em caçadas organizadas, ao contrário de outros países em que a sua caça é por lei proibida.

sábado, 5 de novembro de 2016

REBUÇO



Mais uma palavra caída em desuso e consequentemente esquecida que foi aos poucos saindo do nosso vocabulário.

Para aqueles que não conhecem, digo que aqui na nossa aldeia se punha um "rebuço"  na boca dos burros para que não nos mordessem.

Utilizando a própria arreata fazia-se uma espécie de "noila" (nó corrediço) à volta da boca do animal para o obrigar a mantê-la fechada.

Em sentido figurado também nós nesse tempo, tínhamos uma espécie de rebuço que nos impedia de abrir a boca e dizer ou protestar fosse o que fosse.

Agora fala-se à vontade e sem rebuço, por isso o esquecemos!


domingo, 9 de outubro de 2016

EMBELGA


Esta palavra veio no meio de um trocadilho que em geito de brincadeira, dei a um amigo, que me falava de "mentiras", ao que eu prontamente retorqui:- "Ás tiras e ás embelgas!", numa tentativa de tentar amenizar um pouco o quadro dramático que o meu amigo tentava criar com a sua argumentação

Rimos, continuámos a conversar mas passado pouco tempo despedimo-nos indo cada um à sua vida.

Pelo meu lado fiquei a pensar no trocadilho que havia dito ao meu amigo. Aquilo era uma frase feita que me surgiu a propósito, conhecia o "termo" mas não me recordava exactamente o que significava.

Rebuscando nos recantos da memória deparava-me sempre com a associação das duas palavras, relacionando-as nestes termos com bocados de terreno e a mais não chegava.

Hoje de manhã, enquanto deambulava pelo mercado mensal de Estoi, ia encontrando amigos e estabelecendo pequenos diálogos sempre habituais nestas ocasiões.

Um desses amigos foi precisamente o José Faustino a quem perguntei:- Eh pá, sabes o que é uma "embelga"?

-Então tu não sabes? pergunta ele com ar sorridente. Percebi que tinha a resposta e ainda lhe disse, eh pá, eu sei que tem a ver com a terra, mas não me recordo do resto.

Ao que ele acrescenta esclarecendo-me:
 - Uma "embelga" é uma tira de terreno com mais ou menos cinco passos (cinco metros) de largura que se semeia à "mão cheia" atirando as sementes para a frente para cobrir o chão numa forma homogénea, percorre-se o terreno em linha recta de uma ponta à outra, regressando-se depois pelo outro estremo da tira efectuando a mesma tarefa.

Essa tira de terreno que uma pessoa consegue semear com os dois lanços de ida e volta, chama-se uma "embelga".
Assim por exemplo, para semear-mos uma "courela" (16mx100m) serão precisas três embelgas.

Na Conceição de Faro, às embelgas semeavam-se cereais como, trigo, cevada, centeio.

E pronto, fiquei esclarecido.

E tal como diz o velho ditado "quem sabe, sabe, quem não sabe, bate palmas!" eu bato as palmas ao meu amigo Faustino!

Obrigado amigo!

Obrigado a todos os que tiveram a paciência de ler este pequeno texto.
 Um bom domingo para todos!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

MERREIRA DO CALOR


O termo que relembro é mais um dos que foram caindo no esquecimento e hoje praticamente em desuso.

"À merreira do calor" para nós quer dizer debaixo de um sol muito forte e abrasador que até pode causar uma doença fatal (ou murrinha).

Para evitar a "merreira do calor",  era costume o patrão conceder a folga aos seus trabalhadores agrícolas, nos dois principais meses de verão.

A Folga que correspondia a duas horas de descanso era concedida com o fim de evitar o período de maior calor em que o sol a pino castigava mais quem o enfrentava a descoberto da sombra (ou seja à "merreira do calor"), arriscando apanhar uma insolação ( "soalheiro").

A folga decorria logo a seguir à hora do almoço. Parava-se ao meio dia para almoçar e recomeçava-se ás três da tarde ou seja, gozava-se mais duas horas de folga para além da hora de almoço.

Naturalmente estando no campo e sem trabalhar, procurava-se a sombra de uma árvore para dormir e descansar.

Este costume tornou-se de tal forma hábito nas nossas vidas que mesmo em casa, sem trabalho se dormia a folga.

Por isso amigos, não se descuidem, fujam da merreira do calor e durmam uma boa folga que eu faço o mesmo.

Então até à próxima!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

PREVISÃO DO TEMPO


Por ser dia de S. João, cumpri uma tradição ancestral, madruguei e saí à rua para ver de que lado é que soprava o vento.

Enrolei um pedaço de papel, peguei-lhe fogo, levantei-o um pouco acima da cabeça e constatei que o vento embora fraco, encaminhava o fumo para norte, ou seja, o vento soprava do quadrante sul.

Traduzindo a situação para a meteorologia popular, quer dizer que vamos ter o próximo inverno com alguma chuva.

Acreditando que a previsão esteja certa, teremos um inverno melhor que o anterior, onde o tempo andou ás avessas.

Essa situação complicou sobretudo trabalho das árvores de fruto de sequeiro nomeadamente as figueiras que devido ao tempo seco inesperadamente brotaram folhas e figos fora de época que caíram sem vingarem mas comprometeram para já, a colheita dos figos lampos que são os mais temperãos quanto ao resto das variedades de figos logo se verá.

Também as amendoeiras floriram com quase um mês de antecedência o que complicou a produção.

Até as andorinhas aproveitando o tempo quente e seco anteciparam cerca de um mês o seu regresso aos ninhos, para iniciar a sua reprodução.

Por tudo isto e muito mais, esperamos que a previsão esteja certa e que o próximo inverno seja regular em todas as suas situações, chuva, frio, sol e vento, para termos também um ano regular na produção e colheitas.

À parte isto, um bom dia de S. João para todos!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O ACORDAR DAS FIGUEIRAS




A POLINIZAÇÃO DA FIGUEIRA

Estamos desde o inicio da Primavera em plena época de polinização tão necessária para o ideal desenvolvimento de muitos seres do nosso Reino Vegetal e que quando a Natureza colabora e facilita tal processo, é certo e sabido que iremos ter boas colheitas de todos os nossos saborosos frutos.

Contrariamente ao dizer de muita gente, as nossas figueiras não são excepção pois também têm as suas flores que embora recolhidas no interior do fruto, sem se mostrarem, irão receber a sua dose de pólen através de um dos sistemas mais complexos da Natureza...

Mesmo que não precisem do dito pólen para fazer amadurecer os seus frutos (as variedades partenocárpicas comuns), o insecto polinizador irá visitá-las e oferecerá o pólen que consigo transporta.

Outras variedades porém, (as de Esmirna e os vindimos de São Pedro) se não receberem o dito pólen a tempo e horas, entre Maio e Julho, nunca irão amadurecer e toda a sua produção irá secar e mirrar sem qualquer aproveitamento, caindo para o chão.

A responsável pelo processo de polinização é a figueira polinizadora, uma variedade bravia dispersa pelos nossos campos e que em simbiose com um minúsculo insecto (Blastophaga psenes) garante o elaborado processo.

Estas figueiras, no dizer dos nossos agricultores, figueiras de toque (palavra que vem do árabe 'dokkar - nome que dão a esta figueira) dispõem de uma genética diferente das restantes e proporcionam 3 camadas de frutos por cada ano.

Não nos iremos alongar por agora indicando datas e propriedades de cada camada destes figos bravos, indo simplesmente falar do fruto que nos interessa, o figo de toque da camada de Primavera e que nesta altura se apresenta em cachos em muitas dessas figueiras bravas, ainda verde e de cor mais ou menos carregada, podendo mesmo ser violáceo ou negro.

São estes os figos que em breve 'amadurecerão' e irão não só facultar grandes quantidades de pólen, como também o 'veículo' que o transportará até ao interior das variedades que dele precisam.

Para uma melhor elucidação aí vai uma fotografia de um desses figos bravos de Primavera tirada durante o mês de Maio e onde se pode ver no seu interior e logo abaixo do olho , uma 'floresta' de flores masculinas esbranquiçadas que fornecerão o pólen que quando o fruto amadurece tem a cor dourada.

Também se verá no interior do dito figo e cobrindo literalmente toda a parede interior, algumas centenas de pequenas cápsulas, que são flores femininas que a Natureza modificou transformando-as numa espécie de casulos, (flores galígenas) tendo cada cápsula no seu interior uma larva do insecto polinizador em desenvolvimento na sua metamorfose.

Na altura própria, em breve, a Natureza dirá, são estes os insectos que cobertos de pólen abandonarão o fruto pelo olho do figo e irão desempenhar a sua missão polinizadora.

Mais tarde falaremos um pouco mais da odisseia destes pequenos seres.

Boas colheitas
Francisco Martins

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

ENTRUDOS



Os "entrudos" já quase não se vêm nas ruas da nossa aldeia.

Antigamente eram muitos os que no domingo e terça-feira de carnaval, deambulavam de casa em casa, em pequenos grupos, brincando nas mais diversas e caricatas situações.

Por vezes eram-lhes oferecidas bebidas que eles aceitavam com alguma reticencia porque tinham dificuldade em beber sem retirar a máscara.

A intenção de quem oferecia era também essa, a de tentar que fosse levantada a máscara e assim descobrir quem estava por detrás dela.

Sabendo disso, alguns entrudos afastavam-se um pouco para escondidos levantar a máscara e beber, outros mais precavidos traziam já consigo um pequeno canudo por onde chupavam as bebidas.

 Aos entrudos era permitido quase todo o tipo de brincadeiras e desde que não exagerassem tudo lhes era perdoado.

Um hábito que também se perdeu, é o das "cartas de carnaval" onde de  forma anónima se escrevia algumas "graças" nem sempre engraçadas para quem as recebia.

Estas cartas só tinham destinatário, não traziam remetente ou se traziam não era correcto.

Muitas cartas chegavam alguns dias após o carnaval e perdiam a graça.

Vou acabar esta pequena prosa evocativa do entrudo porque daqui a nada passou o carnaval e tal como as cartas, acaba por chegar fora de tempo.

Bom entrudo para todos!




sábado, 20 de dezembro de 2014

FAVAS DOBRADAS



Acreditando no velho ditado de "favas sachadas, favas dobradas" resolvi sachar as favas que há cerca de um mês, semeei e que têm pouco mais que um palmo de altura.

Tudo correu bem à sacha, espero que o mesmo aconteça quando daqui por mais quatro ou cinco meses, começar a apanhar as vagens.

Mais tarde, fazendo fé em mais outro ditado popular que garante que "fava desbicada, fava dobrada" ainda terei de as "desbicar" .

A tarefa de "desbicar" a fava, consiste em cortar o bico à planta, logo acima da floração, para que deixe de crescer e concentre toda a sua força no crescimento das vagens.

Sendo uma sementeira de inverno não será necessário regar pelo que daqui até à colheita não haverá muito mais a fazer para além de vigiar e acompanhar o seu desenvolvimento, o que para mim é uma excelente terapia.

Entretanto terei de ir preparando o local para semear os coentros e para plantar algumas alfaces que como se sabe, acompanham bem com um bom prato de favas.

Também os alhos já estão no lugar onde irão germinar para que na altura própria se possam apanhar algumas folhas verdes  que irão complementar a receita das favas.

Certamente estão a pensar que a seguir vou falar no toucinho e chouriço de porco mas há muito tempo que na receita das favas, substitui esses ingredientes por azeite virgem.

Por enquanto isto ainda não são "favas contadas" ou seja, ainda não é certo que tudo correrá bem até à colheita.
Tudo dependerá do tempo favorável que convém que seja frio mas não em excesso, não venham grandes geadas e que também caia alguma chuva.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

FIGOS ALGARVIOS VII

Toda a temática do figo ou melhor de todos os figos, das nossas condições privilegiadas para a sua cultura, vai certamente dar que falar. Só não estou a ver as razões para uma quasi ostracização desse fruto de grandes tradições na nossa Província.

No seio da UE nomeadamente dos Países da orla Mediterrânica há empenho na sua divulgação e cultura.

Ando há um ror de tempo à procura de alguém interessado no assunto e conhecedor das nossas variedades deste fruto para troca de impressões e experimentação dos vários tipos mas não encontrei ainda ninguém.

É triste mas é assim ...

Basta atravessar a fronteira aqui ao lado, procurar e mesmo na Internet encontra-se tudo o que é necessário saber:
  • Pessoas dispostas a discutir o assunto e a trocar impressões e experiências
  • Publicações a propósito dos variadíssimos aspectos da sua cultura e onde se aprende muito.

A Internet tem inúmeros artigos, vídeos, clip's e blogs sobre o assunto mas terá que se saber inglês, espanhol ou francês.

Se tentarmos pesquisar em português, vamos 'aterrar' em paginas brasileiras que certamente me merecem todo o respeito mas não respondem às nossas necessidades..

Há uns dias deparei-me com um blog "interessantíssimo" criado por agricultor experimentado na zona de Beja (Senhor Coronel Teté)


Onde as pessoas interessadas na cultura da nogueira podem chegar facilmente ao seu contacto e pôr as suas perguntas. 
As respostas são prontas, esclarecedoras e gratuitas !

Aparentemente nós temos inúmeros técnicos altamente qualificados na sua maioria jovens, desempregados e sem qualquer horizonte à vista, talvez à espera duma oportunidade para emigrar,quem sabe ?!

Porque não criar pólos esclarecedores para juventude que planeie uma actividade agrícola, utilizando estes seus semelhantes e que os podem verdadeiramente elucidar ?

Enquanto que nos Países com condições inegavelmente inferiores às nossas se continua a apostar na economia de base agrícola, como muitos dos mais evoluídos a começar pelos Estados Unidos, Espanha, França, Holanda, nós levamos muito tempo para compreender e acompanhar a passada dos outros.

Aqui e ali caímos em situações caricatas como o sujeito que limpou o bocado de mata que lhe pertence (como os serviços competentes aconselham) para prevenir incêndios por exemplo, está às contas com a Justiça e é capaz de ir para à cadeia porque não tratou do assunto com os papéis da praxe.

Já me alonguei em demasia e desculpem lá toda esta lenga-lenga mas tudo isto é revoltante!

Boa noite
F. Martins

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

BATATA - DOCE II

"Já agora só mais uma pequena achega ..."


Cada vez mais difícil, dado os preços proibitivos de alguns ingredientes, também era comum na cozinha algarvia, prepararem-se boas caldeiradas de lulas ou chocos com batata doce e tomate da horta.

A rama da batata doce bem lavada e preparada (esparregado) servia também para acompanhamento de alguns pratos.

Lembro as duas principais variedades de batata doce comuns no Algarve e qualquer delas óptima para todos os cozinhados onde apareciam.

Eram a batata da zona de Loulé, muito doce e amarela que ao levar ao forno depois da saída do pão, assava rapidamente e largava um néctar na sua base e extremamente doce ... a sua forma era mais sobre o comprido.

A outra era a batata mais do Barlavento, da zona de Aljezur (Rogil) mais firme e arredondada não tão 'sumarenta' como a de Loulé, mais esbranquiçada, mas também muito doce e com sabor parecido à castanha assada/cozida ...

Eram óptimas para assar ou cozer e também ás rodelas finas, fritas no azeite e que acompanhavam carapaus, geadinhos, muxarrinhas e fanecas fritas!

Histórias !!

Hoje o carapau da sacada ideal para fritar está pelas ruas da amargura, mais caro que o bolo de amêndoa !

Dizem os especialistas que peixe frito é mau para a saúde e as batatas engordam demasiado o pessoal ... e que o coração vai-se abaixo, etc etc...

Os meus avós que ´zarparam´' já dentro dos 90's sempre comeram tudo isto e bebiam ainda melhor e bem duraram ...

Vá-se lá saber...

Penso que os ares é que são diferentes.

Olhem, Bom Apetite!
Francisco Martins


domingo, 2 de novembro de 2014

BATATA-DOCE



Há alguns anos atrás, a batata-doce, a par de outros alimentos como o feijão e a carne de porco, era um dos ingredientes principais da alimentação, na Conceição de Faro.

Naquele tempo compravam-se ás "arrobas" para dar para o gasto da casa, até à próxima colheita e guardavam-se em caixas de madeira ou num canto da casa mais reservado, envoltas em palha ou "folharasca" (folhas secas de alfarrobeira).

A batata-doce entrava obrigatoriamente na receita do cozido com feijão, repolho, carne de porco e massa ou arroz, da qual tínhamos pelo menos uma refeição diária.

Também entrava junto com a farinha, o sal e o fermento, na massa com que se fazia o nosso pão caseiro.

Eram também muito apreciadas, assadas no forno onde se cozia o pão.

Como refeição principal, comiam-se cozidas acompanhadas de sardinhas salgadas ou carapaus fritos.

A batata-doce fazia e ainda faz, parte do recheio das nossas "empanadilhas".

Em criança costumava comê-las fritas ás rodelas ou até cruas.

Todos estes usos ainda hoje acontecem mas não diariamente como acontecia naquele tempo, comprando-se agora em pequenas quantidades apenas suficientes para uma ou duas refeições.

 Resta acrescentar que sendo tão importante na nossa alimentação a batata-doce era cultivada em quase todas as nossas hortas.

Plantavam-se duas ou três eiras de batatas mais pequenas para depois lhes cortar a rama e dispor no local onde iriam dar as novas batatas. Tudo isto a decorrer entre Junho (inicio do viveiro) Agosto (plantação das ramas) e Novembro (colheita das novas  batatas).


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O CALHAU


Hoje, resolvi falar do "calhau", isto deve ser da idade porque já me vou esquecendo de algumas coisas e para que isso não aconteça, uso o calhau, como faziam os meus avós.

Os meus avós e os vossos, não estejam a rir fazendo de conta que não é nada convosco.

Como devem saber antigamente as pessoas usavam alguns subterfúgios para não se esquecerem de alguma tarefa que tinham de executar.

Um pequeno calhau numa das mãos fazia com que se recordassem a toda hora do que tinham receio de se esquecer.

Havia quem usasse um pequeno cordel atado no anel, num dos dedos da mão ou num dos pulsos mas não tão certo como o calhau que era infalível.

O calhau também servia para colocar na boca do pacóvio para que não esquecesse alguma coisa que nunca tinha visto e via pela primeira vez.

Colocava-se também o calhau  na mão da pessoa para que não esquecesse qual era a sua mão direita.

Agora já sabem, tenham sempre à mão um calhau que certamente mais tarde ou mais cedo irá ter uso.

Recordei aqui três utilidades bastante singulares do calhau mas se alguém se lembrar de mais, é só escrever!


sábado, 11 de outubro de 2014

ATAMANCAR


Nós, que nascemos na primeira metade do século passado, sabemos perfeitamente o significado do "atamancar", que é o de "nos irmos governando ou remediando com o pouco temos".

Os nossos pais e avós que viveram as dificuldades dessa época ensinaram-nos que devíamos "atamancar" e foi o que fizemos:

  • Atamancávamos o almoço e ou o jantar, quando comíamos apenas um bocado de pão duro, com umas azeitonas ou um pedaço de toucinho de porco que tínhamos na salgadeira, ou uns figos secos ou torrados que guardávamos na arca;
  • Atamancávamos o calçado quando apesar de rotos ou quase sem sola, ainda usávamos as botas, os sapatos ou as alpercatas;
  • Atamancávamos na roupa que se ia remendando e se vestia até já não se poder remendar mais;
  • Atamancávamos na doença fazendo umas "mézinhas caseiras", deixando a visita ao médico para os casos já em desespero;
  • Em resumo passámos muitos anos da nossa vida a "atamancar".
O problema é que desejosos de lhes dar uma vida melhor que a nossa, educámos os nossos filhos e netos, de forma diferente da nossa e agora eles não sabem sequer o significado desta triste palavra.

Naturalmente que não sinto saudades dessa época, nem tão pouco venho fazer a apologia dos "pobrezinhos" mas lá que dava geito saber "atamancar" não há dúvida nenhuma que dava.

Tudo isto a propósito das noticias que todos os dias ouvimos, das dificuldades de muitas pessoas ou famílias porque adquiriram coisas que até já tinham mas que resolveram mudar para um modelo mais recente, muitas vezes aliciados pela publicidade do "compre agora e pague depois".

Bom, eu que apenas queria alinhar algumas palavras sobre "atamancar" acabei excedendo-me um pouco, resvalando no final para uma escrita um pouco mais  acinzentada.

Espero que não me levem a mal.

Desejo um óptimo fim de semana para todos!!!



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

FIGOS ALGARVIOS VI


"...  as passas do Algarve"


É o Algarve uma região rica em figueiras, podendo dizer-se que são árvores próprias desta zona do país porque aqui encontram um clima mediterrânico e terrenos propícios, ao seu desenvolvimento natural.

Quem não as vê crescer até num valado de pedras ou nos lugares mais agrestes ou áridos?

Quantas vezes não são arrancadas ou partidas e o que fica do tronco ou bocados das raízes ainda rebenta para novamente  formar uma nova árvore?

Pode dizer-se que temos uma árvore e um fruto que sempre abundaram no Algarve.

A influência desta árvore através dos tempos foi tão grande que existem até várias localidades com o seu nome.

No entanto, o facto de não haver uma satisfação plena do rendimento, originou que muitos camponeses as fossem substituindo por outras mais rendosas.

A plantação das figueiras, a apanha e tratamento dos figos, nunca passaram duma actividade da agricultura tradicional e de preparação artesanal.
O figo era para a fartura da casa e o principal objectivo foi o de garantir a presença da fruta, quer madura quer seca, durante o ano, na casa do próprio lavrador.

O aproveitamento do figo, quer em maduro quer em seco (ou passa), terá sido considerado de plano inferior, não havendo uma verdadeira valorização no campo comercial ou industrial.

Durante a maior parte do ano, o agricultor dedicava pouca atenção ás figueiras, no entanto algumas tarefas tinham obrigatoriamente de ser efectuadas:
  1. Antes do figo amadurecer raspavam-se as ervas debaixo das árvores, fazendo uma espécie de eira a que chamavam “o solo”; 
  2. Os figos maduros simplesmente comiam-se frescos e à medida que amadureciam, caíam e iam secando no solo,  lá se conservando sem grandes cuidados até se fazer o “cambo”; 
  3. Os "cambos" consistiam em varejar e apanhar os figos (já em fase de secagem), para cestos que se iam despejando em canastras para transportar; 
  4. Eram depois deitados em esteiras de canas, para secar ao sol na eira ou protegidos por um “almeixar” que eram as simples esteiras rodeadas de feixes de lenha, para evitar poeiras e o calar mais forte do sol;
  5. Quando secos eram lavados em grandes alguidares de barro e de novo postos ao sol para secar;
  6. Seguia-se a escolha do figo flor e do mais pequeno;
  7. A denominada flor do figo (o de maior tamanho e melhor aspecto), era “enceirada” em caixotes, misturada com funcho, folhas de figueira, de aroeira, tomilho e muitas vezes ervas-doces ou canela. 
Os mais pequenos, além da engorda de porcos e destilação de aguardente, também eram torrados no forno, sendo um óptimo entretimento roer um figuinho torrado.

Foi do “enceirar” dos figos que eram bem calcados e esmagados que nasceram as bem conhecidas “passas do Algarve” que infelizmente são mais conhecidas pelo esmagamento para a transformação, do que pelo seu real valor.

Nunca as passas alcançaram uma projecção internacional que valorizasse o figo e desse origem a explorações rendíveis, evitando o extermínio das figueiras.

Contudo, é das melhores frutas não só pelo óptimo sabor como pelas ricas propriedades que contém, sendo várias as qualidades de figos conhecidas no Algarve, tais como:
  •  Uma primeira época em Junho, onde aparece o “lampo”, o “cachopeiro” e o “bruto”. 
  •  Uma segunda época em Setembro, o lampo já de tamanho mais pequeno é conhecido por “vindimo” mas além deste há o “castelhano”, o “rinho”, o “coito”, o “bacalar”, o “S. Luís”, o da “mina”, o “dois à folha”, a “bêbera”, o “pardinho”, etc.
  • O “toca” com que se faz uma espécie de colar feito de figos bravos que se coloca nas figueiras cujos figos têm dificuldade em amadurecer, para ajudar a atrair os insectos que fazem a fecundação dos figos.
As folhas das figueiras como árvores de folha caduca antes de caírem são aproveitadas para a alimentação dos animais.

(Adaptação de um texto de Ludgero Urbano)