Mateus Martins Moreno Júnior (1892–1970) foi militar, regionalista algarvio, escritor, poeta, jornalista e uma figura central na promoção da cultura e identidade do Algarve.
Nasceu na Conceição
de Faro e manteve ao longo da vida uma forte ligação à sua terra.
Formação
- Estudou no Liceu de Faro, onde fundou o jornal académico A
Mocidade e publicou poesia.
- Escreveu ainda jovem a peça A Carta (1914).
- Passou por Coimbra e Lisboa para estudos superiores, incluindo
Matemática, que não concluiu devido à mobilização para a Primeira
Guerra Mundial.
Carreira Militar
- Mobilizado em 1917 como alferes miliciano de artilharia,
integrou o Corpo Expedicionário Português, na Flandres.
- Após a guerra, seguiu carreira militar, frequentou a Escola de Guerra
e o Curso Superior Colonial.
- Serviu em Angola, onde desempenhou cargos de relevo, criou um
museu militar, fundou uma revista e organizou serviços de informação.
- Foi promovido a Major em 1942.
- Recebeu várias distinções, incluindo:
- Oficial da Ordem Militar de Aviz (1941)
- Comendador da Ordem Militar de Aviz (1957)
- Medalhas militares de comportamento exemplar e de campanha
Atividade Literária e Cultural
- Fundador e diretor da revista Alma Nova (1914–1929), uma
publicação literária e cultural com colaboradores de grande prestígio
nacional.
- Autor de livros de poesia, teatro, ensaio militar e estudos sobre o
Algarve e o colonialismo.
- Colaborador frequente de jornais e revistas regionais e nacionais, incluindo Correio do Sul, Revista Militar, Vida Algarvia e Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa.
Obras
principais
Incluem poesia, teatro, crónicas, estudos
militares e textos sobre o Algarve. Entre as mais destacadas:
- Prece ao Vento (1915)
- A Sinfonia Macabra (1920)
- Minha Pátria (1923)
- Os Quatro Pontos Cardeais do Regionalismo Algarvio (1934)
- Sangue d’Epopeia (1921)
- A Nova Guerra e a Artilharia (1928)
Regionalismo Algarvio
- Fundador da Casa do Algarve em Lisboa (1925/26), da qual foi
presidente entre 1952 e 1961.
- Figura central do regionalismo algarvio, defendendo o
desenvolvimento económico, cultural e educativo da região.
- Participou no I Congresso Regional Algarvio (1915), onde
apresentou um estudo sobre analfabetismo e ensino.
- Promoveu homenagens, monumentos e iniciativas culturais ligadas ao
Algarve.
- Escreveu o Hino de Sagres (1957).
- Tem o se nome na toponímia das cidades de Faro e Loulé
Contribuições para a Conceição de Faro
- Teve papel decisivo na fundação da Casa do Povo da Conceição de
Faro (1958).
- Conseguiu financiamento para a construção do edifício-sede
(1968–1969), inaugurado em 1973.
- Por sugestão sua foi fundado o Rancho Folclórico da Casa do Povo (1958)
- Deixou um legado duradouro na freguesia onde nasceu.
Últimos anos e
legado
- Regressou definitivamente a Lisboa em 1950.
- Continuou a participar em iniciativas culturais e regionais.
- Faleceu em 1970, sendo sepultado no talhão dos Combatentes no
Cemitério do Alto de S. João.
- É lembrado como militar exemplar, intelectual ativo e defensor
incansável do Algarve.
(Resumo da Biografica escrita por Aníbal Moreno)

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