segunda-feira, 19 de agosto de 2019

FIGO TOQUE OU "TOKA"

Foto de Francisco Martins

"Toka" variedade de figo bravo na altura da saída do insecto quando à medida que vão abandonando o sincónio param uns instantes para descarregar o excesso de pollen que trazem agarrado ao corpo e assim aligeirar o voo até aos frutos que já se encontram receptivos.

A figueira brava 'macho' a tal de toque, 'cabrafiga', caprifig, trata-se duma figueira que nasce da semente do figo que foi polinizado pelo insecto 'blastophaga psenes'.

Pássaros, roedores, o homem, etc.. serão os responsáveis pela disseminação dessas sementes na Natureza.. e uma vez encontradas condições propicias germinam, crescem e tornam-se figueiras bravas de grande porte, que podem ser:
  • De fraca qualidade para a produção de bons figos de toque
  • Somente crescer sem produzir qualquer figo
  • Boas produtoras de figos de toque 
  • Eventualmente (muito raramente) produzir figos comestíveis de boa qualidade...
Alguns agricultores já terão encontrado nos seus terrenos figueiras que não plantaram e que dizem .... 'nasceu prá li' e que produzem óptimos figos, geralmente do tipo 'Smyrna' e que carecem sempre de polinização.
Também muitas figueiras bravas têm sido utilizadas como bons 'porta enxertos'

Já que estamos a falar de figos de toque devo dizer que a figueira 'toka' como chamamos no Barlavento, produz no ciclo anual, pelo menos 3 tipos de figos bravos.. e para simplificar vamos chamar-lhes:
  1.  O primeiro "de Primavera" que vem logo em Junho coincidindo mais ou menos com o tempo dos Lampos comestíveis,..os de São João.
  2. O segundo "de Verão" e que nas boas figueiras tokas devem estar precisamente agora bem à vista, preso na axila das folhas, tal e qual os vindimos saborosos mas cuidado pois podem parecer comestíveis..?!
  3. O terceiro "de Inverno" que à medida que a figueira perde a folha estes figos escuros de aspecto sujo e muito duros ao tacto crescem ao longo das pernadas que vão ficando lenhosas... pelo Inverno fora em maior ou menor numero..
As boas figueiras tokas mostram figos bravos ao longo de todo o ano e isto porque a Mãe Natureza se comprometeu a dotar a figueira brava dum fruto capaz de alojar e alimentar o insecto polinizador durante todo o ciclo anual, dotando-o com pollen na altura mais propicia

Fico por aqui e sugiro que se puderem dêem uma espreitadela a alguma figueira ou figueiras bravas para ver se tenho razão.. e depois continuamos..

F Martins

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

RANCHO FOLCLORICO DA CASA DO POVO DE CONCEIÇÃO DE FARO




Assisti com prazer, há poucos dias, a mais um Festival de Folclore, no adro da Igreja da nossa Aldeia, numa organização da Casa do Povo e do seu Rancho Folclórico.

Vi nascer o Rancho Folclórico, assisti à primeira apresentação publica, à sua evolução e em determinados momentos fiz parte da sua história, na qualidade de dirigente da Casa do Povo.

Gosto e tenho orgulho do nosso Rancho Folclórico, do seu historial e em tudo em que ele contribui para o engrandecimento e divulgação da nossa terra.

Tal como um bom filho, tenho um amor incondicional à Conceição de Faro e a tudo o que lhe diga respeito, defendendo o seu bom nome, a sua história e as suas gentes.

É em nome desse amor e dessa história que decidi dar um pequeno contributo para o melhor conhecimento de alguns factos.

Fundação/Criação do Rancho

Henrique Bernardo Ramos, faz parte, como muitos outros, da história do nosso Rancho Folclórico, mas não foi o seu fundador, tendo até declinado o convite que lhe foi feito no inicio, para o ensaiar.

O Rancho Folclórico foi fundado pela Comissão Organizadora da Casa do Povo, por sugestão do major Mateus Moreno, um natural da Conceição e naquela época, presidente da Casa do Algarve, em Lisboa e que estava a ajudar, junto do Governo, na aprovação da criação e respectivo Alvará, da Casa do Povo.

Tal sugestão deveu-se ao facto de que era preciso que houvesse alguma actividade cultural na aldeia que justificasse perante o Governo, a criação da sua própria Casa do Povo. Até então aqui funcionava uma delegação da Casa do Povo de Estoi.

A Comissão convidou o Mário da Encarnação que aceitou o convite, tornando-se assim, no primeiro ensaiador do Rancho.


Dançar o corridinho

Quando se diz que nas Festas da Padroeira os rapazes no final dançavam o corridinho no Largo da Igreja, tal não corresponde minimamente à verdade

Até ao 25 de Abril, a igreja proibia terminantemente bailes no dia da festa da Padroeira. Os bailes na Festa só começaram a fazer-se alguns anos após o ano de 1974 e no salão da Casa do Povo;

Uma vez que se pretende contar a história da Conceição, seria bom dizer-se que:

Muito antes do inicio do Rancho Folclórico já existia na Aldeia, uma escola de dança que era o Baile do Sr. Mariano e mais tarde do Sr. Manuel, aí sim, os rapazes e raparigas ensaiavam nas noites de Domingo, os seus primeiros passos de dança.

O corridinho dançava-se no final para terminar o baile e em certa época, dançavam apenas duplas de homens com homens, numa espécie de jogo a que chamavam “Varrer o Teso”.

Repertório

Como será de imaginar o repertório do nosso Rancho Folclórico, baseava-se no do Grupo Folclórico de Faro, de onde veio o seu primeiro ensaiador Mário da Encarnação e mais tarde quase todos os elementos do mesmo grupo, incluindo o próprio Henrique Bernardo Ramos.

O "Baile de Roda Não te Encostes à Parreira" faz parte desse repertório desde sempre, aliás encontra-se gravado nos antigos discos e cassetes do rancho, não se percebe quando o fomos recolher a Alte.



quarta-feira, 31 de julho de 2019

TURMA DA ESCOLA DA GALVANA 1943



Numa gentileza da minha vizinha Deolinda Bolas recebi esta foto que é uma recordação da antiga Escola da Galvana que também era conhecida por escola do Mateus Moreno.

A própria Deolinda Bolas identificou os alunos e a professora, onde constam nomes bastante conhecidos na nossa freguesia que em 1943 frequentavam a escola da Galvana.

  • Em cima: -David Rosa/ Leonel Horta / António Cabeceira / Joaquim R. Viegas (Sabino) / João Clemente / Henrique / Maria do Carmo
  • No meio: - Professora Pires / Catarina / Lizete / Irma / Maria Rosário Chelila / Fernanda Albardeiro / Deolinda Bolas
  • Sentados: -Caçapinho / Basilio Bica / Rosa Chelila / Judite / Manuela Rioseco / Vitalina Rodrigues / Clementina / Mateus Calças / Francisco Cabeceira
Na escola da Galvana estudava-se até à 3ª. classe, a 4ª. (só para alguns) já era feita na escola do Areal Gordo.

Naturalmente que a maioria não chegava à 4ª. classe, uma vez que para os seus pais era mais importante a ajuda que lhes poderiam dar na labuta do dia a dia, do que a conclusão da escola primária.

Naquela época para além das escolas já citadas, também haviam as escolas da Ferradeira e da aldeia que serviam os alunos da freguesia da Conceição.