"Conceição freguezia derramada por cazaes a N.O. de Faro, quasi toda em terreno plano e de boa produção de cereaes e algum figo. Igreja mediana em fábrica, junto á ribeira que vêm á ponte do Rio Secco na estrada de Faro, só com casas do parocho ao pé, o qual pagava outr´ora 400 réis por anno ao prior de S. Pedro de Faro, de reconhecença. Confina com Estoi ao N., S. João da Venda e Stª. Barbara a O., Faro a S., Pexão a E. ... antigo curato de apresentação do Bispo no termo de Faro..."
domingo, 9 de outubro de 2016
EMBELGA
Esta palavra veio no meio de um trocadilho que em geito de brincadeira, dei a um amigo, que me falava de "mentiras", ao que eu prontamente retorqui:- "Ás tiras e ás embelgas!", numa tentativa de tentar amenizar um pouco o quadro dramático que o meu amigo tentava criar com a sua argumentação
Rimos, continuámos a conversar mas passado pouco tempo despedimo-nos indo cada um à sua vida.
Pelo meu lado fiquei a pensar no trocadilho que havia dito ao meu amigo. Aquilo era uma frase feita que me surgiu a propósito, conhecia o "termo" mas não me recordava exactamente o que significava.
Rebuscando nos recantos da memória deparava-me sempre com a associação das duas palavras, relacionando-as nestes termos com bocados de terreno e a mais não chegava.
Hoje de manhã, enquanto deambulava pelo mercado mensal de Estoi, ia encontrando amigos e estabelecendo pequenos diálogos sempre habituais nestas ocasiões.
Um desses amigos foi precisamente o José Faustino a quem perguntei:- Eh pá, sabes o que é uma "embelga"?
-Então tu não sabes? pergunta ele com ar sorridente. Percebi que tinha a resposta e ainda lhe disse, eh pá, eu sei que tem a ver com a terra, mas não me recordo do resto.
Ao que ele acrescenta esclarecendo-me:
- Uma "embelga" é uma tira de terreno com mais ou menos cinco passos (cinco metros) de largura que se semeia à "mão cheia" atirando as sementes para a frente para cobrir o chão numa forma homogénea, percorre-se o terreno em linha recta de uma ponta à outra, regressando-se depois pelo outro estremo da tira efectuando a mesma tarefa.
Essa tira de terreno que uma pessoa consegue semear com os dois lanços de ida e volta, chama-se uma "embelga".
Assim por exemplo, para semear-mos uma "courela" (16mx100m) serão precisas três embelgas.
Na Conceição de Faro, às embelgas semeavam-se cereais como, trigo, cevada, centeio.
E pronto, fiquei esclarecido.
E tal como diz o velho ditado "quem sabe, sabe, quem não sabe, bate palmas!" eu bato as palmas ao meu amigo Faustino!
Obrigado amigo!
Obrigado a todos os que tiveram a paciência de ler este pequeno texto.
Um bom domingo para todos!
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
VELHAS GUARDAS DO FUTEBOL NA CONCEIÇÃO DE FARO
(Em pé:-Francisco Caetano (director) -?- Manuel Caldeirinha - Daniel Bobó - ?- Joaquinito Bernardo - Padeirinho (g.r.) - Herculano (director)
Em baixo:- Bernardino Antão (director) - Leone Sousa - José Silvino - ? - Domingos Arvela - ?-)
Em pé: -?- ?- ?- ?- Manuel Caldeirinha - Padeirinho (g.r.)
Em baixo:-Joaquim João - Marinho Canastreiro - Joaquinito Bernardo -?- Américo Taranta)
A bola, como se pode ver nas fotos, era de catchugo, forrado com gomos de couro, com orelha (ourificio por onde se introduzia e retirava o catchugo para encher ou remendar).
Para completar o equipamento existia uma caixa de primeiro socorros, em madeira pintada de branco que o Herculano manejava com todo o a vontade e que se falasse teria muito que contar. Isto só para dizer que às vezes ficava um pouco desconjuntada devido ás emergências onde era utilizada.
Também com a ajuda do Beja conseguimos identificar alguns nomes, ficando outros (?) para outras ajudas que certamente surgirão
Ambas as fotos são do inicio dos anos 60, do século passado. Naquele tempo o campo de futebol era na Chaveca. Também se jogava no adro da igreja e na eira da Quinta-Grande.
Quando em 1968 entrei para a secção desportiva da Casa do Povo, era ainda este o equipamento existente.
Após algumas diligencias junto da FNAT conseguimos apoio para adquirir um novo equipamento, desta vez invertendo as cores, isto é, as camisolas passaram a ser brancas, com dobra na gola e nas mangas azul, os calções eram azuis, mantendo-se as meias azuis e dobra branca.
O equipamento mais antigo passou a ser utilizado pela equipa de voleibol.
Mais tarde adquiriu-se um novo equipamento para o futebol com camisolas de manga comprida em xadrez preto e branco com punhos vermelhos e calção branco, as meias eram também brancas e dobra vermelha.
Já que estamos nas cores de equipamentos da Casa do Povo, relembramos que no ciclismo e no atletismo optou-se pelo verde e amarelo.
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Jantar Convívio dos pioneiros do Folclore na Conceição de Faro
Recordar o passado com olhos no presente e um olhar de esperança para um futuro que se espera e deseja risonho, foi o mote para o jantar de confraternização que a cidadã Estoiense Manuela Alves, uma das componentes desses tempos, promoveu no passado Sábado, dia 17 de Setembro, no Restaurante “Convívio dos Cavaleiros”, no Besouro, que tão bem sabe acolher quem o visita.
Cerca de 80 convivas, a maioria, desses anos trepidantes, finais de cinquenta, anos sessenta e setenta, já com visíveis adiposidades e falhas capilares irrecuperáveis, sorrindo de olhos brilhantes, abraçando um amigo que já não viam há tempo, ou aquela amiga de “totós” e “mini saia”, que riam deliciosamente nos gracejos e piropos que os rapazes lhes atiravam no baile… “A menina dança”!?.. Tampas e mais tampas eram coleccionadas amiúde.
Porém o folclore, a necessidade de os pares se formarem, sob a batuta do Mário Encarnação, felizmente ainda vivo, mas ausente nesta noite, primeiro ensaiador do Grupo Folclórico da Casa do Povo da Conceição de Faro, nascido a 8 de Dezembro de 1958, dia da Padroeira da Conceição, como no final do repasto, o nosso amigo José Joaquim Rodrigues, ilustre e conceituado ex-Presidente da Direcção da Casa do Povo local, com provas dadas ao longo de muitos anos, relembrou a todos os presentes.
Relembrando companheiros recentemente falecidos e afinal todos aqueles que ao longo dos anos foram desaparecendo do seio dos vivos, a Manuela Alves pediu um minuto de silêncio, por todos respeitado, com um aplauso final, antecedendo o jantar. Gesto oportuno e sentido.
A música e a farta gastronomia fizeram uma simbiose perfeita. A música tocada pelo acordeão do grande Fernando Inês, um Salirense universal, homem bom, grande acordeonista algarvio e nacional, autor e compositor de músicas e letras que encantam e encantarão quem o puder escutar. Um encantamento, um sorriso agaitado, o prodígioso bater dos ágeis dedos no instrumento que chora e ri sempre que o compositor instrumentista o põe à prova
Relembrando companheiros recentemente falecidos e afinal todos aqueles que ao longo dos anos foram desaparecendo do seio dos vivos, a Manuela Alves pediu um minuto de silêncio, por todos respeitado, com um aplauso final, antecedendo o jantar. Gesto oportuno e sentido.
A música e a farta gastronomia fizeram uma simbiose perfeita. A música tocada pelo acordeão do grande Fernando Inês, um Salirense universal, homem bom, grande acordeonista algarvio e nacional, autor e compositor de músicas e letras que encantam e encantarão quem o puder escutar. Um encantamento, um sorriso agaitado, o prodígioso bater dos ágeis dedos no instrumento que chora e ri sempre que o compositor instrumentista o põe à prova
.
Um encanto de músico e de pessoa, que serve a nossa cultura como poucos. A graciosa presença de sua mulher é o elixir que tanta falta lhe faz, o seu oxigénio constante.
A ementa sortida e bem servida, com as entradas variadas, o tinto e o branco ou a geladinha sangria, deram o mote para uma canjinha deliciosa, com ovinhos e tudo. Depois as travessas de grelhados sortidos, as saladas e demais consumíveis, terminando com a imperdível picanha, que o Patrício, sempre atento e solícito a todos presenteia, não vá algum conviva ficar em défice momentâneo.
Ali nunca se passa fome! Os doces bem disputados a meio da sala, chás e cafés e alguns mais afoitos o digestivo tomaram, com a anfitriã, Manuela Alves dando às senhoras os poemas e as gerbérias ornamentais que testemunharam o acolhimento.
Utilizando a generosidade e disponibilidade do nosso Presidente da União de Freguesias da Conceição e Estoi, que lamentou não poder estar presente, a cedência da aparelhagem sonora, permitiu as palavras de agradecimento e a declamação dos poemas da Manuela Alves, feitos para esta noite, com a sempre pronta ajuda nas ligações dos cabos e micros do José Joaquim Rodrigues, que no final deu um pouco do seu conhecimento privilegiado, sobre o início do Folclore na Conceição de Faro.
Uma amiga do Teatro, que sob a sábia batuta da poetisa Fusetense Prof.ª Maria José Fraqueza, ali esteve presente, cantou dois, três fados castiços, acompanhada ao acordeão pelo Fernando Inês e uma ou outra canção com um outro companheiro dessas lides teatrais, arrancando aplausos dos convivas, que, a convite dos corridinhos que o Fernando foi tocando, lá saltaram para o meio da sala, rodopiando a alta velocidade, sem qualquer percalço ou inoportuna queda.
Utilizando a generosidade e disponibilidade do nosso Presidente da União de Freguesias da Conceição e Estoi, que lamentou não poder estar presente, a cedência da aparelhagem sonora, permitiu as palavras de agradecimento e a declamação dos poemas da Manuela Alves, feitos para esta noite, com a sempre pronta ajuda nas ligações dos cabos e micros do José Joaquim Rodrigues, que no final deu um pouco do seu conhecimento privilegiado, sobre o início do Folclore na Conceição de Faro.
Uma amiga do Teatro, que sob a sábia batuta da poetisa Fusetense Prof.ª Maria José Fraqueza, ali esteve presente, cantou dois, três fados castiços, acompanhada ao acordeão pelo Fernando Inês e uma ou outra canção com um outro companheiro dessas lides teatrais, arrancando aplausos dos convivas, que, a convite dos corridinhos que o Fernando foi tocando, lá saltaram para o meio da sala, rodopiando a alta velocidade, sem qualquer percalço ou inoportuna queda.
Antes cantaram-se os parabéns a três companheiros ali presentes, que haviam feito os seus aniversários nos dias antecedentes. O bolo, os bolos, foram sempre uma constante, não obstante os conselhos indispensáveis das nossas Nutricionistas, para seguir com algum rigor, alguma dieta menos adocicada e de menor índice calórico… Um dia não são dias! Compensar as calorias consumidas em excesso, com exercício físico é essencial e aconselhável nos dias subsequentes. O coração agradece!
Já passava da meia noite e a animação continuava! Despedi-me dos meus fiéis e bons amigos “Dorinhas” , Valério Pires, Zé e Julieta, Manuela e Osvaldo, Fernando Inês e esposa, entre tantos outros, dando as despedidas ao lado de minha esposa Helena, sempre com a presença fotográfica do Zé Joaquim por perto, que disparava a tudo aquilo que julgava adequado e oportuno gravar e colocar nos seus muito visitados “Blog´s”, que nos deixará eternos para a posteridade…
Obrigado Manuela pela dedicação a esta causa. Força e coragem não lhe falte nunca. “Os dias mais felizes da vida, são aqueles que ainda não vivemos”… Agarrados a esta máxima continuemos…
(J. Aleixo)
Já passava da meia noite e a animação continuava! Despedi-me dos meus fiéis e bons amigos “Dorinhas” , Valério Pires, Zé e Julieta, Manuela e Osvaldo, Fernando Inês e esposa, entre tantos outros, dando as despedidas ao lado de minha esposa Helena, sempre com a presença fotográfica do Zé Joaquim por perto, que disparava a tudo aquilo que julgava adequado e oportuno gravar e colocar nos seus muito visitados “Blog´s”, que nos deixará eternos para a posteridade…
Obrigado Manuela pela dedicação a esta causa. Força e coragem não lhe falte nunca. “Os dias mais felizes da vida, são aqueles que ainda não vivemos”… Agarrados a esta máxima continuemos…
(J. Aleixo)
Subscrever:
Mensagens (Atom)

