"Conceição freguezia derramada por cazaes a N.O. de Faro, quasi toda em terreno plano e de boa produção de cereaes e algum figo.
Igreja mediana em fábrica, junto á ribeira que vêm á ponte do Rio Secco na estrada de Faro, só com casas do parocho ao pé, o qual pagava outr´ora 400 réis por anno ao prior de S. Pedro de Faro, de reconhecença.
Confina com Estoi ao N., S. João da Venda e Stª. Barbara a O., Faro a S., Pexão a E. ... antigo curato de apresentação do Bispo no termo de Faro..."
A União de Freguesias de Conceição e Estoi, resolveu mandar abater o velho cipreste que há mais de cem anos existe no interior do cemitério da nossa aldeia.
Já com grande parte do seu cume seco e sem garantia de segurança poderia a qualquer momento desabar para o solo vindo a provocar danos que se podem evitar e por isso a decisão do seu abate.
Tarefa de difícil execução devido ao grande porte da árvore, cerca de 17,20 metros, à sua localização e à falta de acesso para qualquer máquina pesada que pudesse ajudar.
A empresa Margem Produções foi encarregada da tarefa que executou com grande profissionalismo, feito quase todo manual, apenas com a ajuda de moto-serras e cabos.
Ao fim do dia de hoje o trabalho que correu sem qualquer acidente, estava quase concluído, faltando apenas cortar e remover uma parte do pé da árvore e a limpeza do local.
Por convocatória de Manuela Alves, reuniu ontem à noite, na "sala nobre do Convívio dos Cavaleiros", no sitio do Besouro, da nossa freguesia, um grupo de "amigos da aldeia".
Este grupo que pertenceu à primeira formação do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Conceição de Faro naturalmente trouxe também outros convidados, para o jantar convívio o que fez com que estivessem presentes cerca de oitenta pessoas.
Antes do inicio da sessão, marcou-se presença junto da mesa da organizadora e pagaram-se as respectivas quotas.
Já sentados surgiram na mesa várias propostas do chefe Patrício e sua diligente equipa de trabalho, que degustámos e aprovámos por unanimidade.
De seguida passamos à segunda parte da ordem de trabalhos, surgindo na sala os acordeonistas Fernando Inês e Jaime Costa que executando a "Marcha da Conceição", da autoria do próprio Fernando Inês, receberam a atenção, participação e forte aplauso de todos os presentes.
Muitas outras musicas se seguiram, umas cantadas outras não, mas igualmente aplaudidas o que levou até à formação de alguns pares de dançarinos que apesar da idade demonstraram que ainda não esqueceram como se dança o corridinho, exibindo as suas "florestrias" nas "escovinhas rasteiras ou puladas"..
Recorda-se que o Rancho Folclórico, cujo primeiro ensaiador foi o Mário da Encarnação, teve a sua apresentação publica, no dia 8 de Dezembro de 1958, por ocasião da Festa em Honra de Nossa Senhora da Conceição, num pequeno estrado que serviu de palco, montado em frente à igreja .
Ainda sem o traje alegórico a que se convencionou chamar "traje algarvio" apresentaram-se, elas de saia preta e blusa branca e eles de calça preta e camisa branca.
De realçar o mérito e a coragem do Mário da Encarnação, um ex-dançarino do Grupo Folclórico de Faro que a convite da comissão organizadora da Casa do Povo, aceitou pegar num grupo de jovens da aldeia que não tinham qualquer conhecimento do folclore e ensiná-los a dançar e alcançar os êxitos que vieram a ter.
Diga-se que a formação do Rancho foi uma sugestão do Major Mateus Moreno, um natural da Conceição de Faro que era presidente da Casa do Algarve, em Lisboa.
O Major, conhecedor dos anseios das pessoas da freguesia em ter a sua própria Casa do Povo, disse que para o assunto poder ter aprovação superior, deveria existir pelo menos um rancho folclórico e assim aconteceu, sendo o respectivo alvará.de criação da Casa do Povo, assinado em 21 de Dezembro de 1958.
Bom, deixemos a história e vamos encerrar a reunião de ontem à noite o que aconteceu já por volta da meia-noite e trinta, com toda a gente a recolher aos respectivos lares, não sem antes ficar a promessa de para o ano haver uma nova reunião.