domingo, 2 de novembro de 2014

BATATA-DOCE



Há alguns anos atrás, a batata-doce, a par de outros alimentos como o feijão e a carne de porco, era um dos ingredientes principais da alimentação, na Conceição de Faro.

Naquele tempo compravam-se ás "arrobas" para dar para o gasto da casa, até à próxima colheita e guardavam-se em caixas de madeira ou num canto da casa mais reservado, envoltas em palha ou "folharasca" (folhas secas de alfarrobeira).

A batata-doce entrava obrigatoriamente na receita do cozido com feijão, repolho, carne de porco e massa ou arroz, da qual tínhamos pelo menos uma refeição diária.

Também entrava junto com a farinha, o sal e o fermento, na massa com que se fazia o nosso pão caseiro.

Eram também muito apreciadas, assadas no forno onde se cozia o pão.

Como refeição principal, comiam-se cozidas acompanhadas de sardinhas salgadas ou carapaus fritos.

A batata-doce fazia e ainda faz, parte do recheio das nossas "empanadilhas".

Em criança costumava comê-las fritas ás rodelas ou até cruas.

Todos estes usos ainda hoje acontecem mas não diariamente como acontecia naquele tempo, comprando-se agora em pequenas quantidades apenas suficientes para uma ou duas refeições.

 Resta acrescentar que sendo tão importante na nossa alimentação a batata-doce era cultivada em quase todas as nossas hortas.

Plantavam-se duas ou três eiras de batatas mais pequenas para depois lhes cortar a rama e dispor no local onde iriam dar as novas batatas. Tudo isto a decorrer entre Junho (inicio do viveiro) Agosto (plantação das ramas) e Novembro (colheita das novas  batatas).


sábado, 1 de novembro de 2014

A OBRA

Desde há muito tempo que se via a necessidade de alterar o acesso à "passadeira" para peões, na rua 25 de Abril, em frente à escola e que maioritariamente é utilizada por crianças.

A "passadeira" que dum lado dá acesso ao passeio junto à escola, no outro sai para uma escassa passagem encostada à parede, por dentro duma valeta empedrada sem a mínima segurança.

Agora a autarquia resolveu cortar a extremidade dessa parede e criar um espaço para acesso a uma "passadeira" que segundo se diz,  irá ser colocada em frente, melhorando significativamente a segurança.

O "espaço" foi construído  em cimento,  ao nível do pavimento da rua, sem usar qualquer lancil de protecção.

Entretanto a obra deixou a descoberto uma "caixa" semelhante ás dos esgotos que já existia no local antes ajardinado mas que agora ficou a descoberto devido à obra.

 Elevada muito acima do  pavimento, a caixa torna-se perigosa para quem por ali passa quer seja peão ou veiculo que se encoste demasiado à direita ao entrar na rua das Amendoeiras ou para estacionar junto ao cemitério.

Antes havia um muro que servia de referência aos condutores mas agora existe esta caixa que embora perigosamente alta para os veículos, é de fraca visibilidade

Pede-se por isso bom senso e que se coloque a tampa da caixa ao nível do pavimento, anulando o risco de acidentes naquele local.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O CALHAU


Hoje, resolvi falar do "calhau", isto deve ser da idade porque já me vou esquecendo de algumas coisas e para que isso não aconteça, uso o calhau, como faziam os meus avós.

Os meus avós e os vossos, não estejam a rir fazendo de conta que não é nada convosco.

Como devem saber antigamente as pessoas usavam alguns subterfúgios para não se esquecerem de alguma tarefa que tinham de executar.

Um pequeno calhau numa das mãos fazia com que se recordassem a toda hora do que tinham receio de se esquecer.

Havia quem usasse um pequeno cordel atado no anel, num dos dedos da mão ou num dos pulsos mas não tão certo como o calhau que era infalível.

O calhau também servia para colocar na boca do pacóvio para que não esquecesse alguma coisa que nunca tinha visto e via pela primeira vez.

Colocava-se também o calhau  na mão da pessoa para que não esquecesse qual era a sua mão direita.

Agora já sabem, tenham sempre à mão um calhau que certamente mais tarde ou mais cedo irá ter uso.

Recordei aqui três utilidades bastante singulares do calhau mas se alguém se lembrar de mais, é só escrever!