terça-feira, 16 de setembro de 2014

MAQUIA



Há dias atrás falando com um amigo, sobre os "figos e figueiras algarvias" e da sua preocupação em fazer o "cambo" (apanha) do figo antes de chover, perguntei-lhe qual o destino que iria dar ao figo.

Disse-me que ia quase todo para a destilaria do "João Pauzudo" que lhe renderia cerca de 5 litros de aguardente, por cada 20 quilos.

Ou seja, o dono da destilaria retirando a "maquia" como paga do seu trabalho, entrega o restante aos clientes que lhe levam os figos.

Nos casos de pequenas quantidades de figo em que não dá para o homem retirar a "maquia" entrega toda a aguardente resultante do figo e o cliente terá de pagar o seu trabalho.

Na verdade conhecia o costume mas não recordava a palavra que me surpreendeu quando a escutei.

A conversa foi-se desenvolvendo à volta deste velho hábito que ainda perdura, até noutras situações, como é o caso do medronho e a sua aguardente, da azeitona e o azeite, do trigo e a farinha.

A propósito de farinha e do trigo antigamente quando se precisava, ia-se à mercearia entregava-se o trigo  recebendo-se a farinha retirando o comerciante a sua "maquia" que naturalmente seria maior do que se o trigo fosse entregue na moagem.

No passado, por falta de moeda corrente, a "maquia" era usada como pagamento em muitas outras situações.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

FIGOS ALGARVIOS V


Rebuscando na memória, recordo alguns dos "figueirais" que conhecia na Conceição de Faro, na sua zona de "sequeiro" e que em meados do século passado ainda produziam boa quantidade de figo.

 Próximo da minha casa nos Caliços, podia encontrar os figueirais do António Paula e do Agostinho, um pouco mais abaixo, no Chão de Cevada, tinha os do Bernardo Lolas e do Teresinha, enquanto na Ferradeira, eram os do José Figueiras, já na Canada, eram as figueiras da Quinta Grande (do Francisco Norte e do Joaquim Bernardo).

Certamente outros figueirais existiriam na freguesia mas estes são os que me ocorrem de momento, para além dos que se misturavam com outras árvores como as amendoeiras, alfarrobeiras e oliveiras.

Quanto ás variedades, eram os figos Coito,  S. Luis, Braçajota e Dois-à-folha que predominavam, fazendo as minhas delicias em frescos ou depois secos, moles ou torrados.

Também os apreciava "cheios" com miolos de amêndoa, açúcar, canela e erva-doce, numa antiga receita que também recordo:

Ingredientes:
  1. Figos secos brancos ou pretos
  2. Miolos de amêndoas
  3. Açúcar
  4. Canela
  5. Erva-doce
Confecção:
  1. Lavam-se os figos, sem os deixar encharcar, com água limpa e algumas gotas de azeite
  2. Enxugam-se os figos e põem-se a secar para eliminar a água da lavagem
  3. Prepara-se o recheio misturando açúcar, com uma pequena quantidade de canela e erva-doce
  4. Faz-se um pequeno corte no figo, para introduzir o recheio e termina-se enchendo com dois ou três miolos de amêndoa, conforme o tamanho do figo e dos miolos
  5. Põe-se no forno quente para torrar, tomando atenção para não torrar demasiado
  6. Finalmente retiram-se do forno, deixam-se arrefecer e podemos deliciar-nos comendo-os
No tempo em que se torravam no forno a seguir ao pão, costumava-se fazer um "enfiada" ou seja, enfiar uma linha pelos "picos" dos figos, juntando-os como se fosse uma "réstia", para mais facilmente  os colocar e retirar do forno.

Quanto aos "moles" a receita é mais simples:

Ingredientes:
  1. Figos secos brancos ou pretos
  2. Folhas aromáticas de Funcho, Louro, etc.
Confecção:
  1. Lavam-se os figos sem os deixar encharcar, com água limpa e algumas gotas de azeite
  2. Enxugam-se os figos e põem-se a secar para eliminar a água da lavagem
  3. Colocam-se numa caixa de madeira, em camadas bem acalcados (apertados) entremeados com as folhas aromáticas
  4. Tapam-se bem, fecha-se a caixa e aguardam-se algumas semanas até o cheiro das aromáticas estar perfeitamente introduzido nos figos
  5. Finalmente retiram-se da caixa apenas a quantidade que se pretende consumir no momento

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

VELHOS AMIGOS





Ontem à noite, o "Márinho" (Mário L. Martins) entregou-me estas três fotos que me fizeram recuar no tempo uns bons 30 anos, talvez um pouco mais.

Revejo aqui alguns "amigos da aldeia" com os quais convivo quase diariamente entre outros que  há muito tempo não via, por isso vou nomear os que me lembro, pedindo ajuda, para os restantes cujos nomes não me recordo.

Segurando a taça está o Márinho, na sua frente o José Carlos, segue-se o Carlos Godinho, o José Baltazar, o José da Encarnação, o (?), o Mário, o (?), o António José, o Raul e o Chico.

Estes eram parte da  equipa de futebol da Casa do Povo e estão a comemorar a conquista de uma taça num torneio ou jogo.

O local creio ser a esplanada da Casa do Povo, ainda com cadeiras de madeira que pedíamos à "Casa dos Rapazes" para as Festas de Verão.

Obrigado Marinho pelas fotos e pela recordação destes belos momentos que fazem parte da história da Conceição de Faro.